ESTE RIO
Março 31, 2007
Este Rio que em mim corre sem parar,
De águas turvas lamacentas sem ter fim,
Meu corpo jaz inerte, ao luar,
Dentro deste silêncio, de marfim
Nas margens deste Rio que sustento,
Despidas de existência coexistem,
A alma, a vontade, e o desalento,
Que não sei bem porquê, ainda persistem
Este Rio que afunda a minha alma,
Não lava porém a minha dor,
Nem este silêncio mudo, me dá a calma,
Nem a penumbra da tristeza…me dá amor.
IMAGEM NO PAPEL
Março 30, 2007
Por mim passaram escolas de pintores,
Nas quais me inspirei imagens belas.
Pintei tão lindos quadros, lindas cores
Mas limitei-me tão-só, a criar telas.
Na pedra dura que cede ao viril traço
Do escultor que assim, tem tal visão,
Fica apenas um modelo, a escopro e maço
Em que supõe estar toda a minha, dimensão.
Na arte escrita, invento as palavras,
Umas feitas de aço, e outras de mel,
Mas são somente descrições frustradas,
Não passam de uma imagem…no papel.
MINHA GALERA
Março 29, 2007
Meu sonho se enfeita de ilusão,
Seguindo o ritual que o alimenta,
Desse sonho emerge a erosão
Que a fantasia o veste, e o sustenta
Corro atrás do sonho e da quimera,
Busco entre a escuridão, uma luz;
Navego em alto Mar minha galera,
Neste mar de tempestade, que a conduz
Furacões, maremotos, enfrentei,
Corsários e piratas combati,
Porém minha galera, aportarei,
Em que cais…não sei, ainda não o vi.
RESSUSCITO
Março 28, 2007
No leito deste rio lamacento,
Correndo moribundo e bafiento,
Meu corpo jaz inerte, para o Mar
E neste grito de dor, lancinante
Flutuo em meu corpo rastejante
Sem força para se erguer, e p’ra lutar
Porém, como se de um milagre, se tratasse,
Me levanto, ganho força, e num abraço
Meus lábios com os teus se fundirão
Então nesse momento fascinante,
Minha alma ali renasce, e num instante,
Ressuscito em ti de novo…esta paixão.
NÃO CHORO
Março 27, 2007
CAFÉ DA TARDE
Março 27, 2007
Adoro o café da tarde
Quando o dia se enfeita de cores quentes, de magia
E com ele me arrasta na ilusão
De ver cavalos-marinhos e sereias,
Evoluindo em suaves melopeias,
Nas ondas inferiores da infusão.
E quando o sol se vai e, num lampejo,
Lança o último adeus, o último beijo,
Breve, porque amanhã aqui estará,
Não entristeço, porque sei, tenho a certeza
De que esta hora de lúdica beleza
Vai repetir-se noutro dia…amanhã.
ROTINA
Março 26, 2007
Todos os dias, todos os meses, todos os anos,
Em cada segundo, cada minuto, cada hora,
Sem desvios, novidades, ou enganos.
Que a rotina nos impõe, pela vida fora
O cansaço, o tédio ou a revolta,
Se esvaem em leve açoite da memória,
Que logo se amordaça, vai e volta
Todos os dias, todos os meses, sem glória
O hábito, esse espartilho, esse embaraço,
Feito de gestos já impressos na vontade,
É como grade, de indiferente e duro aço,
Que o desejo, nasce e morre, mas não arde.
PENSO EM TI
Março 25, 2007
Penso em ti
E relembro as palavras, os gestos, os sorrisos
Pérolas de um colar desfeito,
Caídas, uma a uma, na minha mão
Traços dispersos, de uma pintura inacabada
Fios de luz, com que a memória me compensa
E torna mais suave, a solidão…
Recordando…
Ignoro a realidade, e o ritmo dos dias
De ontem…faço hoje, e amanhã
Prolongo o que foi breve… adio o fim.
Nesta troca de tempos, busco um tempo
Em que a emoção que persiste, esmoreça
E finalmente, morra em mim.
POR SERES MULHER
Março 23, 2007
Bem cedo, dizem-te como deves ser
O que, como, e o que deves fazer
Esquecem que podes ter outras vontades
tentam impor-te velhas realidades
Mas se inconformada, ignoras os rituais,
E segues só os teus impulsos naturais…
Logo clamam contra a tua rebeldia
Dizem que és obstinada e irreverente,
Difícil, e até inconveniente
Pois ser assim é demais, é ousadia!
Sorrindo, entre as teias desta contradição
Assente, desde sempre, em subtil opressão
Vais resistindo, sem a tentação, sequer…
Que teimam em dizer que és, por seres mulher!
AMIGOS!?
Março 22, 2007
Amigos!? O que são amigos?
Serão…conhecidos!
Amigos de ocasião, de interesse, ou circunstância!
Das farras, das noitadas, dos copos…!
Serão estes os amigos? Ou serão aqueles!
Que nos ajudam, nos apoiam, nos confortam,
Riem, choram…
Nos dão o ombro…quando dele precisamos,
Nos bons, e nos maus momentos?
Se forem estes! São verdadeiros amigos
Agora!
Se forem os primeiros…os outros!
Os conhecidos, os de ocasião, de circunstância
Que se dizem nossos amigos, mas nunca estão disponíveis,
Nunca atendem o telefone, nunca têm tempo!
Se forem esses?
Então para que precisamos de inimigos?








