DO OUTRO LADO DO TEMPO

Maio 29, 2007

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Do outro lado do tempo
Faço versos, não fingindo
Com eles, pinto o amor
Não oscilo com o vento
Nos versos, também há dor
Que escorre, com ardor
E nos ventos, vão sorrindo.

O SONO

Maio 24, 2007

 

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Quando as luzes se apagam,
E a noite chega…
Tudo se esvanece na madrugada absorvente,
Tragando no seu seio,
O torpor do iminente stress,
Que nos devora
Na rotina diária,
Da nossa existência
O sono e o sonho…
Aparecem como drogas,
Impedindo-nos de pensar
Pesadelo?
Ou não!
Anestesiando o nosso corpo,
E o nosso pensamento
Qual heroína,
Entrando nas veias,
Devassando a nossa mente
Atirando-nos para um gueto,
À margem de tudo que nos rodeia
Não durmam!
Não sonhem!
Não se desliguem da realidade
Pensem!
Lutem!
Contra o marasmo do existencialismo passivo,
E sedentário
Esperando…
Que tudo aconteça
Absortos,
Num sono profundo.

LUZ NA ESCURIDÃO

Maio 19, 2007

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Quando sorrimos…
O nosso sorriso se espalha no ar
Contagiando a atmosfera
Dando-lhe alegria, e cor
Quando choramos…
O Mundo também chora
O nosso coração entristece
Há neblina dentro de nós
O Mundo…Precisa de cor de alegria
De sorrisos abertos
Temos que fazer sorrir a tristeza
Dar luz à escuridão
Ser o oásis, neste deserto árido
Em putrefacção
Temos que ser a voz do silêncio
A aurora da esperança
Temos que ser a luz…
Na escuridão

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Quantas vezes, quantas…
Nos colocam muros, e barreiras
Quantas vezes nos mentem

Quantos amores se perdem
Antes de os encontrarmos
Quantas vezes, quantas…

Quantas vidas destruímos
Quantos desgostos choramos
Quantas vezes, quantas…

Quantas vezes encontramos
Olhares que nos fitam, que sorriem
Quantas vezes, quantas…

Quantas vezes os ignoramos
Por medo, ou desconfiança
Quantas vezes, quantas…

Quantos nos julgam de imediato
Sem nos ouvirem, nem conhecerem
Quantas vezes, quantas…

Quantas vezes se dizem nossos amigos
E nos traem
Quantas vezes, os que ajudamos a levantar
Nos deitam ao chão
Quantas vezes, quantas…

Quantas vezes somos duros, implacáveis
Egoístas, arrogantes, insensíveis
Quantas vezes, quantas…

Quantas vezes gostaríamos, de perdoar
E não o fazemos
Quantas vezes, quantas…

Quantas vezes nos olhamos ao espelho
E temos vergonha do que vemos
Quantas vezes, quantas…

Quantas vezes queremos sorrir
E choramos
Quantas vezes, quantas…

A vida…é cheia de quantas vezes.

ACABEM!

Maio 9, 2007

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Acabem as mordaças em seres calados
Até perante a ofensa,
Qual animal que não pensa
Por isso, são tão regrados.

Acabem as vendas em olhos fechados,
Cegos para o que os rodeia,
Envoltos na cega teia
Por isso, são tão regrados.

Acabem as amarras em condenados,
Serviçais de corpo e alma,
A quem a chicote acalma
Por isso, são tão regrados.

Acabem os tiques, inúteis, estéreis,
Curros e guias de débeis
Que nunca ousarão ir além.

Acabem! Pois castram a nossa essência
E numa afronta à decência,
Reduzem-nos a ninguém.

MULHER

Maio 5, 2007

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Mulher…
Que carregas no ventre o teu fruto
Que lhe dás o teu pão, o teu amor
A tua vida…
Que lutas, que sofres, que amas…
Que te maltratam, que te escorraçam
Que te matam!
Mulher…
Que és mãe, esposa, amante
Companheira…
Que labutas, que choras, que ris
Que não tens pão, não tens dinheiro
Mas tens dor, sofrimento, angústia
Desilusão…
Mulher…
Que queres vencer, queres amar
Queres aos filhos tudo dar…
Mas não tens casa
Não tens pão
Mas tens amargura, dor…
E frustração
Mulher pobre
Pobre mulher…
Que angustias por não teres
O pão para aos teus filhos dares!
Sofres a dor…de os ver morrer.

SOLTA O GRITO

Maio 3, 2007

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Silêncio que gritas
Mas sofres em silêncio
Gritas mudo,
Sufocado
O teu pranto dói
De viveres silenciado
Solta o grito!
Que tens atravessado na garganta
Que te corrói,
Que te amordaça
Solta o silêncio
Liberta-o
Deixa-o gritar bem alto
Esta desgraça.

IMPOTÊNCIA

Maio 2, 2007

 

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Quanta raiva nos invade
Pela morte, pelo sofrimento

Ficamos confusos, surpreendidos

Pela nossa própria impotência

Incapacidade, insignificância

Então descobrimos

Que não passamos de nada…

Assistindo à destruição e à morte

Pobres de nós, impotentes

Perante a potência das armas

Devastadoras, mortais!

Quantos inocentes morrem

Quantos mais terão que morrer

Para os conquistadores se saciarem
Com os despojos,
animais!
Impotentes somos…

Para parar, estes chacais!

ESPERANÇA

Maio 1, 2007

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Que tristeza que sinto
Da injustiça que vejo
Que revolta!
A impotência que me envolve
Me dá raiva!
Me incomoda
Quanta injustiça á nossa volta
Quanta miséria, quanta dor!
Sonhos perdidos, esventrados,
Castrados
Quantas esperanças,
Quantas vidas desperdiçadas
Tanto ódio,
Tanta dor…
Rasguemos horizontes,
E fronteiras
Tracemos novos mundos,
Novos caminhos
Tenhamos esperança…
No futuro